chiquilín de bachín

—El mundo es la suma del pasado y de lo que se desprendió de nosotros— Novalis

miércoles, octubre 04, 2006

pessoana en honor a f!

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,


Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Álvaro de Campos, Extracto de «Tabacaria», 15-1-1928.

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2 Comments:

At 6:19 p. m., Anonymous Sol! said...

Paso a dejarle un besito nomás. Lamento que el abismo de las lenguas, no me dejen llegar al fragmento que ha posteado, muchacho.
Pero, como me ocurre ciertas veces con don Borges, así y todo es un placer visitar sus páginas.

Beso

 
At 6:26 p. m., Blogger ficcionalista! said...

Gracias.
Muchas.
Siempre.

 

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